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“Assim como uma mãe consola seu filho, Eu consolarei vocês.” (Isaías 66.13). Nós só conseguimos falar sobre Deus através de metáforas.
Isso porque Deus é o grande mistério e a linguagem de que dispomos é limitada. Metáfora é uma figura de linguagem que sugere uma semelhança entre duas coisas essencialmente diferentes. A bíblia é rica em metáforas sobre Deus: Rei, Senhor, Sol, Pai. As metáforas não são Deus, só querem apontar com modéstia para Deus. Deus não é o Rei, o Senhor, o Sol, o Pai; essas são metáforas que tentam aproximar o mistério divino da experiência humana. Dentre tantas metáforas bíblicas, encontramos também metáforas femininas sobre Deus. (Obviamente, estamos falando de algo que está para além da masculinidade e feminilidade!). Em Gênesis 1.2, a palavra no original que foi traduzida para “pairava”, seria mais bem traduzida como “chocava”, dando a ideia de que o Espírito Santo preparava o nascimento do Universo. “E disse Deus ‘haja luz! ’, e houve luz”. Deus deu a luz! Numa passagem visceral do AT, Deus fala através de Isaías: “eu me calei por tempo suficiente. Eu me controlei, mordendo a língua. Mas agora estou me soltando, gritando e gemendo como a mulher na hora do parto”. (Isaías 42.14).
No Novo Testamento, Jesus lamenta: “Jerusalém, quantas vezes Eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!” (Lucas 13.34). Diante dessas figuras bíblicas me sinto a vontade em chamar Deus de mãe. Para mim, é uma metáfora muito rica que quer falar do amor gratuito e incondicional de Deus. O pai do filho pródigo tinha um coração de mãe, porque ninguém ama sem explicação, de maneira incondicional, incansável senão a mãe. O filho pode ser o mais complicado, mas a mãe não desiste de confiar e querer bem. Prova disso é que, em dias de visitas, os presídios estão cheios de mães visitando seus filhos. Ser mãe é encarnar a arte do amor divino. Mãe não é somente aquela que gera, mas também aquela que adota, aquela que cuida, aquela que acolhe e que se fez mãe; muitas não geraram e nem gerarão, mas “mãe” é uma metáfora que lhes cai muito bem, assim como para Deus!
A nossa experiência com Deus passa pelas experiências humanas e a nossa concepção de Deus, pela linguagem humana: a metáfora que mais me fala do mistério divino é “Deus é mãe”!
Meus parabéns a todas as mães de nossa comunidade!
Naquele que deu a luz à Vida,
Márcio Cardoso. |